
A data chega sozinha. Um lembrete de celular configurado anos atrás acende às sete da manhã. Um amigo antigo publica uma foto. O mercado tem o bolo que ele sempre pedia, e alguém está acordado desde as cinco decidindo se compra. O aniversário de uma pessoa falecida é a única data que ninguém precisa procurar, e a única para a qual ninguém nos ensinou o que fazer.
Esta página é um plano, não um sentimento, e nada aqui é obrigatório. A família que não faz nada não falhou com ninguém, e a família que compra um bolo e canta não fez nada de errado. O que vem abaixo é o que fazer no aniversário de uma pessoa falecida: decidir se vale marcar a data, o que as famílias fazem nela, o dia hora por hora, e as palavras para a mesa e para quem está de luto. Se a data que você procura é o aniversário de morte, esse dia tem as palavras dele no nosso guia sobre o que dizer no aniversário de morte.
Como se chama esse dia, e por que ninguém lhe ensinou uma palavra para ele
Em português a confusão começa antes da pergunta: a mesma palavra serve para os dois dias. Aniversário é a data de nascimento e é também a data da morte, e as famílias resolvem acrescentando o resto, aniversário de morte, aniversário de falecimento. O que tem nome próprio é sempre o outro dia. O calendário que a maior parte das casas de língua portuguesa herdou conta a partir da morte: missa de sétimo dia, missa de trinta dias, missa de um ano. Para o dia em que a pessoa nasceu e já não está aqui para comemorar, não existe termo.
O inglês também não resolveu, e as palavras que ele tem apontam para a outra data. O Wiktionary registra deathday, o dia em que a pessoa morreu ou o aniversário dessa data. O inglês ainda tomou do iídiche a palavra yahrzeit inteira, que o My Jewish Learning define numa linha: "uma palavra iídiche que significa aniversário de uma morte". Para o dia em que a pessoa nasceu, nada.
A resposta mais antiga inverte o que você espera. Como escreve o padre Joe Babendreier num texto republicado pelo Opus Dei, no início o costume na Igreja não era celebrar o aniversário de alguém. O que se marcava era o dies natalis, latim para dia do nascimento, "entendido como o dia em que um cristão morria". O dia da morte era o aniversário, e é por isso que a festa da maioria dos santos cai na data em que eles morreram.
O vocabulário mais completo é o vietnamita, e todo ele está construído sobre o dia da morte. O giỗ é guardado pelo calendário lunar na própria data da morte, com um nome para cada ano e outro para a véspera. No portal da Sangha Budista do Vietnã, Thích Thiện Phước escreve que húy kỵ é o dia em que morreram os nossos mestres, os nossos pais, as pessoas que amamos e os nossos amigos. Uma linha de lá é a única exceção encontrada em qualquer lugar: na época imperial, a data de nascimento e a data da morte de um rei ou de uma rainha eram as duas chamadas de ngày kỵ. O vietnamita já teve uma palavra para o aniversário de quem morreu, e ela era reservada aos soberanos.
Numa tradição o aniversário já está na lista. O portal ortodoxo Azbyka da Fé nomeia três datas anuais para lembrar um falecido: o dia da morte, o dia do nascimento e o dia do santo de nome. A família que guarda esta data está guardando uma das três.
| Palavra | De onde vem | O que nomeia |
|---|---|---|
| aniversário de morte | Português | A data da morte, que é a que ganhou nome |
| deathday | Inglês | O dia em que a pessoa morreu, ou o seu aniversário |
| yahrzeit | Iídiche, prática judaica | O aniversário da morte no calendário hebraico |
| dies natalis | Latim, Igreja primitiva | O dia em que um cristão morria, guardado como nascimento |
| giỗ | Vietnamita | O rito anual na data lunar da morte |
| giỗ đầu, giỗ hết, giỗ thường | Vietnamita | O primeiro ano, o segundo, e todos os seguintes |
| tiên thường, chính kỵ | Vietnamita | A véspera, e a própria data da morte |
| húy kỵ, kỵ nhật | Uso budista vietnamita | O dia em que morreu um mestre, um pai, um amigo |
| ngày kỵ | Uso imperial vietnamita | As duas datas, nascimento e morte, de um soberano |
| dia do santo de nome | Prática ortodoxa | A festa do santo que deu nome à pessoa |
Então o achado é um formato, e não uma palavra. Toda tradição verificada aqui deu nome ao dia da morte e lhe deu calendário e rito. Nenhuma deu nome ao dia do nascimento, exceto no Vietnã, para um rei. Se você está procurando o nome certo e não encontra nada, o erro não é seu. Esta não foi a ocasião na maior parte da história, e virou uma dentro de uma única geração.
Marcar ou não marcar: uma folha de decisão para o primeiro ano e para os seguintes
Se alguém já lhe disse que esta data não pode ser marcada, vale saber quem disse. Uma reportagem do jornal moscovita Vechernyaya Moskva ouve Darya Mironova, apresentada como vidente, dizendo que o aniversário não deve de modo algum ser celebrado, e Evgenia Belova, numeróloga e especialista em magia eslava, dizendo que a data já não tem significado real para o outro mundo. Nenhuma das duas é sacerdote.
Um sacerdote diz o contrário. O padre Vladislav Beregovoy, reitor da igreja de São Nicolau em Mosalsk, na região de Kaluga, disse ao site 360.ru que nunca houve na Igreja proibição de lembrar os mortos no dia em que eles nasceram, e que a proibição existe apenas na cabeça de fiéis supersticiosos, longe da Igreja. Guarde a distinção que as duas fontes guardam. A Igreja permite que o falecido seja lembrado nesta data e conta o dia do nascimento como uma das suas três datas anuais. Ela não recomenda guardar o dia como uma festa de aniversário comum. Uma família pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Na prática católica a distinção aparece de outro jeito: não há dia do ano em que a missa não possa ser aplicada pela intenção que a família pedir, e a data é escolha da família.
O que foi medido. Deborah Carr e colegas, nos Journals of Gerontology, Series B, testaram esta data entre casais mais velhos da região de Detroit, entrevistados antes da morte de um cônjuge e de novo seis e dezoito meses depois. Das 210 pessoas viúvas aos seis meses, as 29 entrevistadas dentro de um mês do aniversário do cônjuge morto relataram mais desespero, mais ansiedade e mais sintomas depressivos, descontadas as outras diferenças entre elas. Os autores pedem cautela, porque 29 pessoas é um grupo pequeno. Dois outros achados importam tanto quanto. O efeito apareceu só nos primeiros seis meses e já não estava lá aos dezoito, e a saudade, medida em separado, não subiu na janela do aniversário. A amostra era de cônjuges viúvos mais velhos, então nada disso é um achado sobre pais ou filhos enlutados. A leitura em que esta página se apoia: o primeiro aniversário é o difícil, e os seguintes costumam não ser.
Por que um plano funciona melhor do que uma intenção. Michael Norton e Francesca Gino, em pesquisa publicada como "Rituals Alleviate Grieving for Loved Ones, Lovers, and Lotteries" no Journal of Experimental Psychology: General e descrita pela Harvard Business School, encontraram o efeito sobre o luto em pessoas que escreveram sobre um ritual que de fato tinham cumprido, e, num estudo companheiro, ver outra pessoa cumprir um ritual foi muito mais fraco do que cumprir você mesmo. E esse é o argumento a favor de um plano com as suas mãos dentro.
Agora a folha.
| Se isto é verdade | Então |
|---|---|
| É o primeiro aniversário desde a morte | Uma coisa pequena, com hora de começar e de terminar |
| A morte foi nas últimas semanas | Nada para organizar. Uma vela, comida, visitas |
| Ninguém em casa quer marcar a data | Deixe passar, e avise duas pessoas de fora para ninguém chegar com bolo |
| Uma pessoa quer e as outras não | Ela escolhe uma coisa e conduz, menos de uma hora, presença opcional |
| A casa não concorda sobre como | Divida: o cemitério de manhã, a mesa depois, nenhum dos dois obrigatório |
| Quem iria carregar está esgotado | Entregue a alguém, pelo nome, ou reduza a uma vela. Cancelar é uma resposta |
| Há crianças que conheceram a pessoa | Conte o plano a elas no dia anterior, e dê a cada uma a tarefa que ela mesma escolheu |
| A sua religião tem um rito na data | Faça isso primeiro. A mesa cabe depois da missa, nunca em vez dela |
| Você está com medo de uma hora específica | Ponha uma pessoa nela. Uma caminhada às quatro é um plano |
| Você preferia estar no trabalho | Vá, e ponha uma coisa pequena à noite |
| É o terceiro aniversário ou mais | Guarde uma coisa só e repita igual todo ano, vinte minutos, para ninguém precisar decidir de novo |
| A casa parou e uma pessoa não | Ela guarda o dela sem pedir companhia a ninguém. Saber a data já basta |
| O costume parou sozinho, sem ninguém decidir | Não há nada para retomar. Um ano não deve ao outro uma tradição |
| Há um novo companheiro, um bebê ou uma casa nova | Guarde a data, e diga em voz alta que a casa nova não é substituição |
Qualquer que seja a resposta da folha, decida só para este ano e diga isso em voz alta. Um plano de um ano é fácil de aceitar e fácil de mudar.
O que as famílias fazem no aniversário de uma pessoa falecida: doze tradições numa tabela
Isto é o que muitas casas fazem, não o que alguma casa precisa fazer. Os costumes mudam de família para família e de paróquia para paróquia, então, onde uma linha nomeia uma religião, pergunte ao seu próprio padre, pastor, imã, rabino ou monge antes de tratar aquilo como regra.
| Casa | O que acontece no aniversário | De onde vem |
|---|---|---|
| Cristã ortodoxa | Uma nota para a proskomidia, uma panikhida quando o calendário permite, o túmulo limpo, uma litia lida ali, o Saltério em casa | Azbyka da Fé, Foma |
| Católica | Uma missa pedida para aquela manhã, flores no túmulo depois | O cânon 945 para a oferta da missa. As flores são costume comum, não lei da Igreja |
| Prática judaica | Não há observância do dia do nascimento na tradição, embora a orientação reformista nomeie um aniversário entre os dias em que a família pode visitar o túmulo. O yahrzeit, na data hebraica da morte, é a observância: a vela e o Kadish | ReformJudaism.org, sobre visitas ao túmulo, My Jewish Learning |
| Prática muçulmana, nos estudiosos citados aqui | Nenhum dia obrigatório e nenhuma observância anual no túmulo. Visitar um túmulo é permitido em si. O que se recomenda é a dua, pedir perdão, e o sadaqa em nome da pessoa, em qualquer dia | Islam Question and Answer, sobre visitar túmulos, datas anuais e o que beneficia os mortos |
| Casa vietnamita | O giỗ, na data da morte, continua sendo a ocasião que importa. Na data do nascimento, onde é guardada, uma bandeja no altar: flores, frutas, incenso, um bolo | O giỗ se herda, a bandeja se vende |
| Casa brasileira ou portuguesa | Os mortos lembrados no Dia de Finados, 2 de novembro, mais do que nos aniversários: flores e velas no túmulo, e a missa daquele dia | O calendário católico. Na tradição mexicana vizinha, inscrita pela UNESCO em 2008, a virada de outubro para novembro é a mesma |
| A refeição em casa | O prato dele, a receita dele, dito à mesa que é dele | A coisa mais comum que as famílias relatam |
| O túmulo ou o mar | Limpo, flores deixadas, uma coisa lida em voz alta, quinze minutos, e para casa | Quase em todo lugar, com exceções de calendário |
| O brinde | Quarenta segundos antes da comida, e depois come-se | Laico, e a coisa mais fácil de fazer bem |
| A doação em nome da pessoa | O valor da idade dela doado a algo de que ela gostava, ou a conta que ela pagava em silêncio paga de novo | Nomeada nas orientações ortodoxa e muçulmana citadas aqui, e feita em casas sem religião nenhuma |
| A coisa de que ela gostava | A caminhada, o mar, a estrada, o jogo do time dela, feito pelas pessoas que faziam aquilo com ela | Laico, e o que mais se descreve como ajuda |
| Nada no dia | A data passa sem marca e o aniversário de morte carrega o ano | Normal, e proposital em algumas tradições |
O que uma família vietnamita realmente encontra à venda. A observância do dia do nascimento é de fato praticada, e dá para encomendá-la. O parque memorial Hoa Vien Binh An, em Dong Nai, vende um mâm lễ sinh nhật, uma bandeja de oferenda de aniversário posta na data do nascimento no túmulo ou no altar da família: rosas, frutas, um bolo de chantili que pode levar escritos um nome e uma saudação, velas, incenso de sândalo, um guarda-sol e um atendente, por um preço de referência de 1.000.000 VNĐ por cerimônia. Duas notas honestas. Aquilo é um anúncio de serviço, e não um rito herdado: não foi possível encontrar nenhuma autoridade budista nem nenhum văn khấn tradicional que prescreva uma observância de aniversário, e é por isso que a família que procura as palavras não encontra nenhuma. E aquilo fica ao lado do giỗ, em vez de substituí-lo. A versão não comercial é pequena e doméstica: velas e um vaso no altar, crisântemo branco ou a flor de que a pessoa gostava, uma foto e algumas lembranças, os pratos dela cozinhados juntos, o đi tảo mộ no túmulo, e a doação em nome dela.
A regra do cemitério, dita uma vez. Três fontes ortodoxas russas concordam, e é melhor saber disso antes do que depois. A Foma diz que o túmulo pode ser visitado no dia do nascimento, no aniversário de morte ou em qualquer dia que importava para a pessoa, e descarta duas coisas: a refeição de lembrança pertence à casa, com as pessoas que eram próximas, e não ao cemitério, e não se deve beber à saúde do falecido, diz ela, nem mesmo no aniversário dele. A Pravmir diz que o vinho, e mais ainda a vodca, devem ser dispensados na refeição de lembrança, e trata o copo posto para o morto como resto pagão, e não como costume cristão. E o Azbyka da Fé pede às famílias que abandonem o costume de lembrar com álcool. Se a sua família sempre fez o contrário, isto não é uma reprimenda. Vale saber enquanto você planeja.
O primeiro aniversário depois da morte, hora por hora
Um dia, trabalhado do começo ao fim. A família é inventada, nomes e tudo, e nenhuma linha disto é uma ordem a cumprir. Antônio Reis morreu em 3 de fevereiro, aos sessenta e um anos, e o aniversário dele é 11 de setembro. A viúva, Marlene, o filho Rogério e a filha Cláudia planejaram o primeiro em quatro mensagens. O neto, Caio, tem nove anos.
| Quando | O que eles fazem | Por que aquilo está ali |
|---|---|---|
| Três semanas antes | Rogério liga para a paróquia e manda rezar uma missa no dia 11 | A agenda de intenções enche com meses de antecedência. Pedida na mesma semana, uma data procurada já foi |
| Na véspera | Uma mensagem só: onde, a que hora começa, a que hora termina, quem leva o quê, "venha a qualquer parte do dia ou a nenhuma" | Ninguém acorda adivinhando o que se espera dele |
| 7h30 | Cláudia assume as redes do pai e o celular da mãe pelo dia | Uma felicitação de quem não sabe é a mensagem mais difícil de ler sozinha |
| 9h | A missa. O Caio leva as flores | Algo fixo, cedo e fora de casa, para o dia ter um chão embaixo dele |
| 10h45 | O túmulo: mato arrancado, a lápide limpa, as flores no lugar, uma oração curta, e todos saem juntos | Uma visita com fim não vira uma hora que ninguém consegue encerrar |
| 12h30 | O arroz de carreteiro dele feito em casa, da receita escrita à mão dele, pelo Rogério, mal feito | Cozinhar dá o que fazer a quem não consegue ficar parado |
| 14h | A mesa: quarenta segundos do Rogério, depois uma história de cada um, e quem quiser pode passar a vez | Para a refeição não ser comida em silêncio sobre ele |
| 15h30 | O bolo que o Caio escolheu, e o Caio sopra as velas porque pediu | É o aniversário do avô dele também, e ele queria bolo |
| 16h30 | A caminhada que o Antônio fazia todo domingo, para quem quiser | O dia termina andando, e não numa mesa já tirada |
| 18h | Termina, na hora anunciada de manhã | Um fim anunciado é uma gentileza com quem não aguenta mais |
| À noite | A Marlene escreve para ele por vinte minutos. Ninguém pede para ler | A parte do dia que pertence a uma pessoa só |
| Na manhã seguinte | A Cláudia manda uma linha a todo mundo que escreveu: "Obrigada. Foi um dia bom, quase todo ele." | Doze respostas escritas de uma vez, no dia seguinte, e não doze no meio do dia |
Como pedir uma missa. No balcão da paróquia aquilo se chama pedir uma missa, ou mandar rezar uma missa pela intenção do falecido, e saber o nome poupa um telefonema confuso. A Instrução Geral sobre o Missal Romano mantém estreitas as ocasiões privilegiadas para uma missa de defuntos, ao receber a notícia de uma morte, para o sepultamento definitivo, ou no primeiro aniversário de morte, e um aniversário de nascimento não está entre elas. Não precisa estar. O cânon 945 diz que qualquer sacerdote que celebra ou concelebra pode receber uma oferta para aplicar a missa por uma intenção determinada. Ligue para a secretaria da paróquia, dê o nome, diga a data e pergunte quando abre a agenda de intenções. O mesmo cânon recomenda que os sacerdotes celebrem pelos fiéis, sobretudo os necessitados, mesmo sem oferta, então, se o dinheiro é o obstáculo, diga isso e peça do mesmo jeito.
O mesmo dia, sozinho. Quase tudo o que está acima supõe uma casa cheia. Se você é a única pessoa marcando a data, o formato continua valendo, e um dia com horários é mais fácil de atravessar do que um dia sem.
| Quando | O que você faz | Por que aquilo está ali |
|---|---|---|
| Na semana anterior | Diga a uma pessoa de fora de casa que a data está chegando e que você pretende ficar quieto | Para um dia silencioso não ser lido como crise, e para alguém dizer o nome dele para você |
| 9h | Compre as flores você mesmo | Um compromisso cedo coloca você na rua e dá uma borda para a manhã começar |
| 11h | Quinze minutos no lugar que era dele: o túmulo, o banco da praça, a beira do mar | Uma visita com duração marcada não vira uma hora que você não consegue encerrar |
| 13h | A comida dele, numa mesa, num prato, e não de pé na pia | A refeição é a parte que mais se pula, e pular piora a tarde |
| 16h | A ligação, combinada antes com uma pessoa que sabe que dia é hoje | A hora que você teme deixa de ser vazia quando alguém já está dentro dela |
| Quando aparecer | Aceite o único convite que você receber, mesmo que por uma hora | Estar com gente que não está falando do assunto é descanso, e não traição |
| 21h30 | Dez minutos escrevendo para ele, e pare | Um fim de dia que você escolhe, em vez de adormecer dentro dele |
O que dizer à mãe, à viúva ou aos filhos no dia: nove mensagens completas em três registros
A data é a gentileza mais fácil do ano inteiro e quase ninguém usa. Todo mundo escreve no velório. Quase ninguém escreve nove meses depois, numa terça-feira que por acaso é o aniversário dele, e é exatamente por isso que essa mensagem é a que as pessoas guardam.
Quatro regras sustentam as nove. Diga o nome de quem morreu. Diga que dia é hoje, com clareza, em vez de apontar para "este momento difícil". Faça uma oferta com dia e hora marcados. E diga que não precisa responder. Seguem três registros para cada um de três destinatários.
Para uma mãe cujo filho morreu. Rafael Martins morreu aos vinte e seis anos. A mãe dele é a Teresa.
Dona Teresa, eu sei que dia é hoje. Estou pensando no Rafael, e na senhora, o dia todo. Não precisa responder.
Dona Teresa, hoje é aniversário do Rafael e eu não queria que o dia passasse sem o nome dele aparecer no seu celular, vindo de outra pessoa. Eu ainda vejo ele no ponto de ônibus com aquele pacote enorme de salgadinho, me contando o filme inteiro de um filme que eu já tinha visto. Estou livre na quinta à tarde e eu ia adorar levar a senhora para tomar um café e falar dele, ou de qualquer outra coisa. Não se sinta obrigada a responder hoje.
Prezada dona Teresa, trabalhei com o Rafael por dois anos e hoje é o aniversário dele, então eu quis escrever. Ele me ensinou o serviço, com paciência, quando eu não servia para nada. Se um dia for bem-vindo, eu teria muito gosto em contar à senhora as coisas que ele fazia no trabalho e que a senhora talvez nunca tenha ouvido.
Para uma viúva ou um viúvo. O Valdir morreu em março. A mulher dele é a Sônia.
Sônia, feliz aniversário para o Valdir. Pensando em vocês dois hoje. Estou em casa a noite toda se você quiser companhia, e tudo bem se não quiser.
Sônia, hoje é aniversário do Valdir. Eu fico ouvindo ele na nossa porta às sete e meia de um domingo, com o pão, dizendo que estava só passando, o que nunca foi verdade uma única vez. Vou passar aí no sábado às onze com uma comida para o congelador, e eu fico dez minutos ou a tarde inteira, como você preferir. Você não precisa responder a isto. Eu mando mensagem quando chegar.
Sônia, a gente nunca se conheceu de verdade, mas o Valdir consertou o nosso portão três verões atrás e não quis aceitar nada por isso. Eu sabia que hoje era o aniversário dele porque ele contou a data enquanto trabalhava, e disse que passava o dia sempre no quintal. O portão continua em pé, e a gente pensa nele.
Para filhos adultos. A Glória morreu no ano passado. Os filhos dela são a Helena e o Davi.
Helena, hoje é o aniversário da sua mãe. Da Glória. Pensando em você e no Davi. Não preciso de nada de vocês.
Helena, hoje é o aniversário da Glória e eu não vou deixar passar. Ela foi à minha casa na semana em que a minha própria mãe morreu, falou quase nada, lavou tudo o que tinha na cozinha e foi embora. Faz vinte anos e eu nunca esqueci. Eu queria fazer o mesmo por vocês dois, então vou levar o jantar no domingo às seis. Me diga se o dia estiver ruim. Se não, não responda, que eu apareço.
Querida Helena, querido Davi, eu fui vizinha da mãe de vocês na Rua das Acácias por onze anos, e hoje ela faria aniversário. Ela nos dava manga em dezembro, mais do que qualquer família conseguiria comer, e sempre perguntava pelo meu filho pelo nome. Se um dia vocês quiserem, eu tenho duas fotos dela no quintal, de mais ou menos 1998.
O que não mandar. Deixe de fora o "pelo menos" em todas as suas formas, e o "está num lugar melhor", que diz a uma pessoa enlutada o que ela deve sentir sobre o dia. Não pergunte o que ela vai fazer hoje, porque muita gente decidiu não fazer nada e não quer defender essa escolha. E se você deixou passar, uma mensagem dois dias depois vale muito mais do que nenhuma.
A resposta de uma linha quando alguém deseja feliz aniversário sem saber
Ninguém avisa sobre esta parte. As felicitações chegam de quem não sabe, no pior momento possível, e quem está com o celular na mão tem que responder ao carinho de um desconhecido com a pior notícia da vida dele. Aqui vai uma linha para cada caso, curta o bastante para mandar com um dedo. A mulher que morreu é a Ana, em 4 de maio do ano passado.
| De onde chegou | Uma linha de volta |
|---|---|
| Uma mensagem de um amigo antigo dela | "Obrigada por lembrar a data. Preciso te contar que a Ana morreu em maio. Ela ia gostar de saber que você ainda tinha o dia na agenda." |
| Uma publicação pública na rede social dela | "Obrigada. Para quem não soube, a Ana morreu em 4 de maio. A família está lendo estas mensagens e elas significam muito." |
| Um colega de trabalho que recebe o mesmo lembrete | "Obrigado por lembrar. A Ana morreu em maio. É uma data estranha para nós, e ajuda que você tenha dito o nome dela." |
| Um cartão que chegou pelo correio | "Obrigada pelo cartão para a Ana. Sinto ter que te contar que ela morreu em maio. Obrigada por todos os anos de cartão." |
| Uma ligação para casa | "Que gentileza sua. Preciso te dizer que a Ana morreu em maio. Posso te ligar outro dia? Hoje eu não consigo falar disso." |
| Alguém na padaria: "E a Ana, como vai?" | "Ela morreu em maio. Obrigada por perguntar dela, ela gostava de você." |
| O grupo da família começa a cantar parabéns | "Obrigada, gente. Hoje é um dia difícil e isto é a parte boa dele." |
| Alguém que sabia e esqueceu | "Está tudo bem. É o aniversário dela e eu prefiro que as pessoas digam a coisa errada a não dizerem nada." |
Você não deve a ninguém explicação, tom ou velocidade. Não dizer nada é uma resposta completa, e um polegar para cima no grupo do trabalho também, e deixar o telefone tocar também. Entregue o celular e as redes a um parente pelo dia, como a Cláudia fez acima, porque responder a nove desconhecidos é trabalho e não precisa cair sobre quem está sofrendo mais. E resolva os lembretes automáticos uma vez, em vez de todo ano: o que dá e o que não dá para desligar está no nosso guia sobre o que acontece com as mensagens quando alguém morre.
Um brinde e quatro falas curtas para a mesa, completas, de vinte a noventa segundos cada
Decida antes do dia quem fala e quando, para ninguém ter que julgar o momento no meio da refeição. Quem fala não precisa ser o mais velho nem o mais próximo, só alguém que queira, com uma segunda pessoa avisada antes de que talvez tenha que terminar por ela. Um brinde nesta data não precisa de álcool e, na prática ortodoxa, não deve ter nenhum. Café, suco, água ou copos levantados vazios funcionam igual.
Um brinde de quarenta segundos, antes da refeição. O Rogério, na mesa do pai.
Antes de comer. Hoje é o aniversário do pai. Ele faria sessenta e dois anos, e ia dizer para a gente não fazer escândalo enquanto conferia de canto de olho se tinha bolo. Não estamos fingindo que o dia é fácil. Mas eu prefiro estar numa mesa cheia no aniversário dele a estar em qualquer outro lugar. Então, ao Antônio, que ensinou metade desta sala a dirigir e deixava todos os netos segurarem o timão do barco. Feliz aniversário, pai.
Sessenta segundos, de uma filha adulta. A Helena, sobre a mãe, a Glória.
Uma coisa curta, e depois a gente come. É o aniversário da minha mãe. Da Glória. Ela fazia eu e o Davi cantarem a música inteira duas vezes, porque a primeira nunca estava boa o bastante. Eu estava com medo de hoje faz um mês, e hoje de manhã eu ri dentro do carro, porque o rádio tocou a música que ela não suportava e eu ouvi exatamente o que ela teria dito sobre aquilo. O rádio, o trânsito, o jeito como eu faço café. Vamos comer a comida que ela teria feito melhor.
Sessenta segundos, de um irmão ou uma irmã.
O nosso Rafael faria vinte e sete hoje. Vinte e sete. Ele nunca chegou ao fim de uma história sem rir da própria piada no meio, e todos nós deixávamos ele continuar fazendo isso. É isto que eu quero dizer. Ele não é uma coisa triste. Ele era a pessoa mais engraçada que qualquer um de nós conheceu, e ser irmão dele continua sendo a primeira coisa que eu digo sobre mim. Então comam alguma coisa, me contem uma história dele que eu não conheço, e se alguém chorar, isso também está liberado. Feliz aniversário, Rafa.
Vinte segundos, para uma criança de uns dez anos. O Caio, que tem nove e escolheu o bolo. Dê a uma criança uma frase com um espaço em branco dentro, e ensaiem uma vez antes para as palavras ficarem familiares.
Hoje é o aniversário do meu avô. A minha coisa preferida nele era que ele me deixava pilotar o barco mesmo quando a mamãe falava que não. Eu fiz um cartão para ele. Vou pôr no lugar onde ele sentava. Feliz aniversário, vô.
Noventa segundos, entre amigos e não em família. O aniversário de um amigo que morreu é muitas vezes guardado pelas pessoas que não eram parentes, e ninguém nunca diz a esse grupo o que falar.
Então. A gente sabe por que está aqui numa quarta-feira. O Nando faria trinta e cinco hoje, e ele mesmo teria organizado isto e depois chegado quarenta minutos atrasado.
Nenhum de nós é da família. A gente não recebe as ligações, e ninguém pergunta como a gente está. Mas a gente teve quinze anos dele que a família dele nunca viu. A viagem até o litoral naquela Kombi caindo aos pedaços. O verão em que ele decidiu que era cozinheiro. A noite em que ele me convenceu a não tomar a pior decisão da minha vida, sentado no meio-fio, às quatro da manhã, e nunca mais falou nisso.
Então o plano é este. Uma vez por ano, nesta data, a gente vem aqui. Cada um conta uma história. E um de nós liga para a mãe dele de manhã, porque ela vai querer saber que alguém de fora da família lembrou. Ao Nando.
Quando alguém chora. Não há nada para consertar. Espere, passe o lenço, diga "no seu tempo", e deixe a pausa ser uma pausa. Se quem está falando não conseguir terminar, a segunda pessoa combinada antes se levanta e termina, e isso é um acerto, e não uma falha. Se você precisa de mais de um minuto, os textos de exemplos de discurso fúnebre curto podem ser encurtados para caber numa mesa.
Quando o aniversário e a data da morte caem perto
Muitas famílias têm as duas datas a poucas semanas uma da outra. Guardar dois dias, juntar num só, ou escolher: as três coisas são normais. Tudo o que se diz na própria data da morte, das primeiras semanas até o descerramento da lápide, pertence ao aniversário de morte, então o que vem aqui é só a colisão.
| A que distância | O que costuma funcionar |
|---|---|
| No mesmo dia | Deixe a observância da data da morte carregar as duas, e diga o aniversário em voz alta uma vez dentro dela |
| Um ou dois dias de diferença | Um encontro só, na data em que a família consegue viajar. Dois numa semana cortam a presença pela metade |
| Na mesma semana | A parte quieta e religiosa na data da morte, a comida e as crianças no aniversário |
| No mesmo mês | Dois dias, os dois pequenos. Muita gente acha mais fácil convidar as pessoas para o aniversário |
| Dentro dos primeiros quarenta dias | Quase nada, de propósito. Não é o ano de começar uma tradição, e em muitas famílias esse período ainda é o das missas de sétimo e de trinta dias |
| Numa festa religiosa grande ou num feriado | A festa fica com o dia. Mova a sua observância para a noite, ou para o dia seguinte. Na prática ortodoxa, a nota para a proskomidia é aceita em qualquer festa, e um ofício completo de defuntos normalmente não, então pergunte na paróquia |
A Pravmir explica por que a prática ortodoxa pesa mais a outra data: a Igreja lembra os falecidos no aniversário da morte, porque, para um crente ortodoxo, aquele é o dia do nascimento para a vida nova e eterna. Isso não é uma proibição do dia do nascimento, que o Azbyka da Fé lista como uma das três datas anuais. É o motivo pelo qual a data da morte carrega mais.
A Foma acrescenta o lado do cemitério do mesmo calendário: o túmulo pode ser visitado no dia do nascimento ou em qualquer dia que importava para a pessoa, e ela pede às famílias que guardem as grandes festas, o Natal, a Páscoa e Pentecostes, a Semana Santa e a Semana Radiante, para a igreja em vez do cemitério, não porque a visita seja proibida, mas porque o dia pertence ali. Se a data cai numa delas, a Foma sugere mudar a visita de dia. Se o aniversário é engolido por uma temporada de festas em vez de uma festa só, o problema maior está no primeiro fim de ano de uma família enlutada.
Marcar o aniversário de uma criança que morreu
Esta seção não tem pesquisa por trás, porque quase não existe pesquisa que fale desta data, e uma mãe ou um pai que está lendo merece ouvir isso em vez de receber conselho confiante.
Comece pelo que é verdade. O aniversário continua sendo dela. A maioria dos pais enlutados continua contando a idade e continua dizendo em voz alta: ela faria nove anos. Isso não é negação e não precisa ser defendido para ninguém, inclusive para o parente que acha que já é hora de parar. O dia pertence aos pais, e quem está carregando mais é quem decide.
A pergunta do bolo, respondida sem rodeio. Sim, se você quiser um. Muitas famílias compram o bolo, põem as velas e deixam os irmãos soprarem. Muitas outras não conseguem encarar um bolo e fazem outra coisa completamente. Nenhuma das duas escolhas diz nada sobre o tamanho da falta, e as velas podem ser acesas sem o parabéns.
Os irmãos. As crianças pegam o formato do dia com os adultos, então conte o plano a elas no dia anterior, com palavras simples, e dê a cada uma a tarefa que ela mesma escolheu: as velas, as flores, escolher a comida, a foto da mesa. Espere que elas queiram festa num minuto e estejam entediadas com tudo dez minutos depois. Se uma delas é pequena o bastante para a própria morte ainda precisar ser explicada, ou explicada de novo, contar a uma criança que alguém morreu tem as palavras por idade.
| A dúvida em que as pessoas travam | O que as famílias fazem |
|---|---|
| O bolo | Comprado, com as velas, e os irmãos sopram. Ou nenhum bolo e o café da manhã preferido dela. Os dois são comuns e nenhum é um veredito |
| O parabéns | Cantado nas famílias com outras crianças na sala, pulado pela maioria das outras. As velas podem ser acesas sem ele |
| A publicação nas redes | Publicada pelos pais que querem o nome dela dito por outras pessoas, e não publicada pelos pais que não querem ler as respostas. Decida na véspera, e não às dez da manhã do dia |
Um exemplo inventado. A Manuela morreu aos sete anos. No aniversário de oito, os pais dela, o Bruno e a Letícia, fizeram quatro coisas: o café da manhã preferido dela, o nome dela numa vela acesa na frente da igreja, o bolo pequeno que o irmão, o Téo, escolheu, e uma caminhada na represa onde ela tinha aprendido a fazer a pedrinha pular na água. O Téo, de nove anos, perguntou se ele podia ficar feliz no aniversário da irmã. A Letícia disse que sim, e que a irmã dele teria ficado ruidosamente do lado dele na questão do bolo.
O que dizer a uma mãe ou a um pai no dia. Diga o nome da criança, primeiro, antes de qualquer outra coisa. Não pergunte o que eles vão fazer hoje. Não diga que tinha que ser, e não procure um motivo. Faça uma oferta específica, com hora. E se você conheceu a criança, dê aos pais um detalhe que eles talvez nunca tenham ouvido: o que ela disse no recreio, a piada que ela contou a todo mundo por um mês. Pais de uma criança que morreu estão famintos de informação nova sobre ela, e um detalhe novo vale mais do que um parágrafo de pesar.
Letícia, hoje é o aniversário da Manuela. Ela faria oito anos. Eu estou pensando nela a semana toda, e em você, no Bruno e no Téo. Eu ainda vejo ela em pé no nosso muro anunciando que era uma leoa. Vou deixar flores na porta no sábado de manhã e não vou bater. Não precisa responder.
Alguns parentes param de dizer o nome da criança porque têm medo de causar dor, o que, de dentro, se parece exatamente com esquecimento. Uma mãe ou um pai pode pedir direto: diga o nome dela para mim, eu prefiro ouvir. O amigo que põe a data no próprio calendário todo ano se torna uma das pessoas que ficaram.
Escrever para a pessoa no dia, e escrever para frente, para quem está vivo
De tudo o que as famílias contam fazer nesta data, escrever é o que mais se faz sozinho e o que mais se guarda. E vai em duas direções.
Escrever para a pessoa. Uma carta para quem morreu, no aniversário dela, contando as notícias do ano, dizendo a coisa que ficou sem ser dita, ou só dizendo feliz aniversário e parando ali. Ninguém lê além de você. Escrever uma carta para alguém que morreu tem os pontos de partida, os exemplos trabalhados e a resposta para a pergunta que todo mundo faz, que é o que fazer com a carta quando ela estiver pronta.
Guardar o que foi dito em voz alta. Se uma pessoa à mesa contar uma história que o resto de vocês nunca ouviu, vale guardar. Pergunte em voz alta, antes de a rodada começar, se todos concordam que ela seja gravada no celular, grave a própria pergunta, e deixe qualquer um passar a vez. As regras sobre gravar pessoas mudam de um país e de um estado para outro, então confira onde você está. A parte prática está em como gravar a sua voz para a sua família. E se a voz que você quer nesta data só existe numa saudação de caixa postal, salvar aquele áudio vem antes de tudo: veja como salvar o recado de voz de alguém que morreu antes que alguém cancele a linha.
Escrever para frente. A outra direção é a que esta data costuma pôr na cabeça das pessoas, normalmente por volta das nove da noite: que a própria família delas vai ter um dia como este algum dia, e que existe algo que elas poderiam deixar para ele. Isso é uma carta escrita por alguém vivo para ser aberta depois. No Goodbye App uma carta assim leva as suas palavras e uma gravação da sua própria voz. Você nomeia as pessoas que vão receber, e o dia e a hora em que ela é enviada por e-mail para elas, com até trinta anos de antecedência. Ela fica privada até ser enviada, e é gratuita. Cada carta sai uma vez só, então o aniversário que você tem em mente é uma carta, e o aniversário seguinte é outra.
Se é isso que você vinha procurando, e não o plano de hoje, cartas de aniversário para os anos que você talvez não veja trata de quantas escrever e do que vai em cada uma, e cartas para os momentos marcantes dos seus filhos trata dos casamentos e das formaturas.
Perguntas que as famílias fazem
O que fazer no aniversário de uma pessoa falecida? A maioria das famílias faz uma coisa pequena, com começo e fim: uma oração ou uma missa de manhã, quinze minutos no cemitério, a comida dela numa mesa, um brinde de quarenta segundos, e o dia encerrado numa hora anunciada. A folha de decisão acima resolve se vale marcar a data este ano, e a tabela de doze tradições mostra o que as casas de fato fazem no dia.
É errado comemorar o aniversário de quem já morreu? Não. A palavra que trava as pessoas é "comemorar", e dá para deixá-la de lado: a maioria das famílias marca o dia em vez de comemorá-lo, o que se parece com oração, comida, cemitério, um brinde e um fim cedo. A prática ortodoxa permite que o falecido seja lembrado no dia do nascimento dele e não recomenda guardar aquilo como uma festa comum.
Como se chama o aniversário de uma pessoa que morreu? O português não tem termo próprio, e o que ele tem aponta para a data da morte, o aniversário de morte. A maioria das famílias diz simplesmente "o aniversário do pai" ou "ela faria quarenta anos hoje".
Dá para dizer feliz aniversário para quem morreu? Muita gente diz, em voz alta ou por escrito, e não há nada de errado nisso. Outras pessoas acham que a frase engasga e preferem "estou pensando em você hoje", ou só o nome da pessoa.
Dá para pedir uma missa no aniversário de quem morreu? Sim. Na prática católica, o cânon 945 permite ao sacerdote receber uma oferta para aplicar a missa por uma intenção determinada, e é isso que a secretaria da paróquia anota: o nome e a data. Na prática ortodoxa também: o Azbyka da Fé lista o dia da morte, o dia do nascimento e o dia do santo de nome como as três datas anuais para lembrar um falecido, e os sacerdotes que respondem ali dizem que a nota para a proskomidia é aceita em qualquer dia de festa. Se um ofício completo de defuntos pode ser celebrado na data, isso depende do calendário da igreja, então quem responde é a paróquia.
A prática judaica marca o dia do nascimento? Não como observância. O ReformJudaism.org afirma que o judaísmo não costuma memorializar o dia do nascimento das pessoas amadas que morreram, e que o que se marca é o aniversário da morte, o yahrzeit. Ele corre pelo calendário hebraico a partir da data da morte, e é por isso que ele se desloca em relação à data gregoriana, e os seus costumes são a vela e o Kadish. Um aniversário aparece ainda assim, no mesmo site, entre os dias em que a família pode visitar o túmulo.
Dá para marcar o aniversário de quem morreu no islã? Os estudiosos citados aqui sustentam que guardar uma observância anual é uma inovação, enquanto visitar um túmulo para rezar pelos mortos e lembrar a vida futura é prescrito em qualquer dia. O que não está em disputa é o que chega até eles: a dua, pedir perdão, e a caridade feita em nome deles, sem data obrigatória. Muitas comunidades muçulmanas guardam, de fato, observâncias de aniversário de morte, então pergunte ao seu próprio imã em vez de a uma página na internet.
Estou preocupado com uma pessoa no dia. A data aumenta o risco? Não, pelas evidências que existem. As semanas em torno de um aniversário e em torno de um aniversário de morte já foram medidas contra o resto do ano e não apareceram como uma janela de risco maior. O que está melhor estabelecido é que as semanas imediatamente depois de uma morte são as mais difíceis. Então, se você está preocupado com alguém hoje, a data não é motivo para esperar nem motivo para relaxar. Pergunte, com clareza, e fique.
O segundo aniversário é mais fácil que o primeiro? Costuma ser, embora não para todo mundo. No estudo com cônjuges viúvos citado acima, o aumento de sofrimento em torno do aniversário do cônjuge morto apareceu nos primeiros seis meses depois da perda e já não estava lá aos dezoito meses. O luto não obedece ao calendário que recebe, e é por isso que um plano com um fim anunciado vale a pena de qualquer jeito.
Se você está lendo isto porque está pensando em suicídio, por favor, converse com alguém hoje. O findahelpline.com reúne linhas de apoio gratuitas e confidenciais no seu país, e há mais informações na nossa página sobre suicídio e automutilação.
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